Poesia, sexo e devaneios.

Segunda-feira, Junho 30, 2008
Uma certa luz enviesada nas cortinas, livro recém-aberto, o chiado das ervas na panela, música antiga, risadas na tarde nublada. Então era simples assim, estava o tempo todo aqui o que eu tanto buscava? Porões destrancados sem estrondo, liturgia do avesso - dizei uma só palavra e minha alma será para sempre lançada no abismo da dúvida.

Sonhei conosco hoje, e era tão bom que tinha cheiro.

Devaneado às 2:00 PM Fala, vai:

Quarta-feira, Novembro 07, 2007
Ela diz que não, mas a cada dia a certeza me aperta a garganta.
A paz, criança, é a antítese da efervescência. Sigo morna, portanto. Oca. Toques das mãos doces remexem vontades adormecidas, semana a semana há o olhar saturnino que me toca águas fundas. Além de vir aqui, claro, morbidamente exumar antigos vermelhos.
Mas ando esquecida de mim.

(veja que não existe acaso, que estes últimos anos não se evaporaram em vão, que o azul cristalino depois de tantos dias cinzas me dá ainda vontade de gritar)
Devaneado às 9:07 AM Fala, vai:

Domingo, Junho 17, 2007
Escrevo pouco.
Lenta e ocasionalmente, há os puxões nas muitas âncoras ainda lançadas. Maré. Por fora solavancos, dentro o indizível. Às vezes clarão, sim, com pedrinhas com pedrinhas de brilhante cravadas certeiras nos amores que invento. Noutras ainda o bicho. Mas menos, é verdade. De repente fiquei sábia, tudo agora me cai leve e quieto. Echarpe cor de vinho nos ombros, um sorriso de mil anos nos lábios. Ela me enxerga a lava incandescente do pordentro, eu penso em estrada e mistério enquanto tranço os dias.
O cheiro do sangue escureceu meus dedos trêmulos, só isso. Eu acho que nunca te disse, mas o que quis mesmo foi riscar com ele um pentagrama perfeito antes de sair fugida, cigarro e botas ecoando na avenida fria.

Devaneado às 12:56 AM Fala, vai:

Quarta-feira, Março 14, 2007

Devaneado às 1:10 AM Fala, vai:

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
Tempo, tempo, dias e meses se acumulando lá fora.
Aqui, elástico. Cíclico ao sabor dos meus líquidos e humores. Íntimo como o calor escondido na curva da axila, a dobra da coxa. Úmido. Outra noite me sonhei com 100 anos. Rugas de infinita experiência, marcas, o corpo vestido em trapos de muitos vermelhos. Reconheci nos olhos a chama. Menina-dragão-vento-mar ainda. Sempre? Nem sei.

Ontem uma tarde de terremotos por dentro. Agora de manhã cruzei com o moço que há tanto não via, roupa branca enfeitando o olhar moreno feito presságio, sorrindo de volta o meu bom-dia surpreso. E só então vi que era sexta-feira.
Devaneado às 11:39 AM Fala, vai:

Quarta-feira, Outubro 18, 2006
para brincar na gangorra, dois

De-va-gar, putinha.

Tinha que fazer força para não sorrir, as palavras escorregando em quase sussurro no quarto de sempre. Gostava de enlouquecer a outra de longe, com tempo. Queria amplificar cada sensação capaz de arrancar daquela pele antes mesmo do primeiro toque.

Ela com o olhar mais sacana se empenhou em atrasar ainda mais o movimento da mão baixando a alça da camiseta. O mamilo quase exposto ardia, teso, o cheiro quente entre as pernas já impregnando tudo. Devagar.


******

De-va-gar, putinha.

Foi o que ela me disse naquele quarto de sempre, quase sorrindo. O hálito quente me roçando o lóbulo. Gostava de me enlouquecer se fingindo distante, mesmo ali tão perto. Antes mesmo do primeiro toque, lento, arrancava gemidos da minha garganta com as mãos.

Mãos que desciam, sem pressa, até a alça da camiseta e ainda além. O mamilo então exposto ardia, teso, em contato com o dela. O cheiro quente entre as pernas já escorrendo em minha boca. Devagar.
J.

Devaneado às 4:30 PM Fala, vai:

Domingo, Outubro 15, 2006
andar por lá me perturba, afundar na angústia que daqui só percebo latejar junto às têmporas, me entregar sem escudo à fera que às vezes espreito.

e traz maravilhamento, que desconhecer o conhecido pode ser instigante.

e um nó que o acre das jabuticabas não tira, um não-sei-quê em vê-la espectro-musa-refratada no breu daquelas palavras.
jogo de espelhos tortos, minha respiração acelera.
é medo que me cola à pele preta e quente. também.

perséfone e hades, sempre, sempre.
e o livro que naquele tempo como profecia.
Devaneado às 9:41 PM Fala, vai:

Sexta-feira, Setembro 22, 2006
basta resvalar no que pulsa, eu nem sei porque ainda me espanto.
arqueologia inesperada, meus olhos presos nela a dizer que tem medo de abismos vertem a melodia mesma e íntima.
mas então os anos, as vicissitudes, as ironias... ?

já não dói faz tempo. cintila.
Devaneado às 1:21 PM Fala, vai:

como se poesia na tarde exausta, compramos pêssegos.
e depois das muitas lágrimas o sumo ainda acre e um sorriso de primeira vez que borrou de amarelo minhas asperezas.
Devaneado às 11:34 AM Fala, vai:

Terça-feira, Julho 04, 2006

Devaneado às 11:55 PM Fala, vai:

Sexta-feira, Junho 16, 2006
lembranças palpáveis palpitam sincrônicas.
ela fala do lugar-flor dos desabrochares,
eu acho estranho dançar em memórias que não guardam ondas nem sol em paredes roxas.
ainda?
raízes furando o cinza, that's it, vermelho infiltrado,
a quina do quarto marcada para sempre de vida, o espanto bom que parece nunca mais vai me sair do olhar.

dias frios outra vez, dura poesia concreta da menina, ironia, ironia, que agora tem cabelos ao vento nas esquinas de lá.
(alecrim, eu escolhi, e aquela canção antiga que traz em cada verso muitos punhais)

Devaneado às 9:27 PM Fala, vai:

Domingo, Abril 16, 2006
e para quê, você me pergunta, para quê.
porque aqui é o meu espaço do não-caminhar, é onde as lembranças são sempre construídas e as palavras são sempre a mesma palavra.
porque aqui acaricio meus fantasmas, acendo velas na penumbra e molho os pés nas águas turvas.
porque aqui é vermelho e essência e sopro.

Devaneado às 12:19 PM Fala, vai:

O indefinível, sim e ainda, borboleta azul que suga a velocidade do mundo cruzando a estrada.
Estar lá me dá a certeza da realidade transversal, o destino na mesa ao lado outra vez, o fugaz dos olhos quando tudo era sol, pitada de algo que por aqui me parece sempre soterrado em linhas retas e certas.
Mas brinco ainda de arqueologia íntima, descubro um nome novo nas trilhas do vermelho. Mas há rasgos no comezinho dos dias, o calor da pele dele, a promessa de mar depois da esquina. Há este não pensar que me inquieta, eu-bicho à espreita em cada gesto redondo. Há o ardor.

Devaneado às 10:37 AM Fala, vai:

Domingo, Fevereiro 05, 2006
Algo na forma como o sol fura a cortina trouxe de novo aqueles dias perdidos.
Um trecho do livro, fumaça de canela vinda da cozinha, as possibilidades todas que há tanto não. O indefinível de tudo isso misturado formando um mo-men-to.
(lento, sim, tardes de domigo sempre são)

Saudade, ela diz. Sorriso.
Meus olhos na modorra transbordam nostalgia quase sem palavras. E calor.
Se fosse música, sem dúvida um jazz.
Devaneado às 4:31 PM Fala, vai:

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Devaneado às 10:57 PM Fala, vai:

Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Isis, Astate, Diana, Hécate, Deméter, Kali, Inana

Invocação.
Eu estes dias sou o ponto que pulsa, femininosangueplural, mantra sem palavra, mistério das mãos banhadas em vermelho, ventre. Eu estes dias sou mais aqui do que lá, mais bicho que razão, a memória do barro fresco e do mar que não houve, a vontade do vento incenso e vela acesa.
Sonho e exorciso fantasmas, ando no limiar do mais fundo, pés descalços amassando incertezas. Desperto nos lábios o canto das eras, por dentro o segredo novo se retorce e cresce.
Inexoravelmente.

Que então seja cinza o passar das horas, dos compromissos, as infinitas enfadonhas arestas de tardes mornas (mortas?).
Eu sou o ponto que pulsa.
Devaneado às 2:09 PM Fala, vai:

Quinta-feira, Novembro 17, 2005
É que, no sonho, as minhas cartas já vinham recortadas...

Menina do ar como naquela música de tão antes, violão barco e juventude, o passado tem andado na corda bamba da superfície aqui. E eu que não sei se ainda sei dizer de vermelhos, eu abrindo janelas atrás do sol raro, tantos tantos pensamentos acridoces!
Ler mais e escrever e espanar o vulgar dos dias. Tarefas. Lida-tempo-mistério. Mistério. A boca é mesmo rosa num matiz que nunca vi, os olhos de maremoto como um perigo que suga. Sempre os abismos e os vórtices, sim, o quasefetiche de arroubos e urgências permanece e eu sigo presa ao livro querendo mundos. Penso alquimias, reviro gavetas, adivinho pinceladas noutro tom. A paciência da espera desta vez não me apraz.

Pedalei outro dia,
o vento espalhou cabelos e idéias com cheiro de grama fresca pela tarde.
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Quarta-feira, Outubro 19, 2005
Âmago aqui, quieto vermelho e pulsa.

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Terça-feira, Setembro 13, 2005
De tempos em tempos olhos, olhares novos a decifrar. Mer-gu-lhar, eu diria, no quase-verde-cinza de olhos que trouxeram faísca e boca e mão e pele e ah... frio foi tudo o que não fez ali. De tempos em tempos noites, horas de falar e de calar, ciclo.
De tempos em tempos sangue, aviso, presença pulsante, nó.

Ainda agora a notícia do feminino que rebrota (algo óbvio, sim), ainda ali os restos de escritos anteriores, das fotos que eu queria, de vontades que nem sei. Desta janela não vejo a lua, destas madrugadas me fogem os fantasmas, mas há algo do livro cravado (sina?) sempre no escorrer das horas.
E o vermelho ainda tem suas marés.
Devaneado às 12:00 AM Fala, vai:

Segunda-feira, Setembro 05, 2005

Devaneado às 11:05 AM Fala, vai:

home
passado...
as origens se perderam no tempo. se quiser chegar ao início da história, eu te levo pela mão.


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